Clinica de Pediatria e Nutrologia - Prevenção da obesidade infantil: qual é o melhor caminho

Prevenção da obesidade infantil: qual é o melhor caminho?

Em 2018, um importante jornal internacional de pediatria publicou um estudo mostrando que os filhos de mães que mantinham ao menos cinco hábitos saudáveis apresentavam 75% menos chance de ter obesidade. A informação surpreendeu por mostrar o grande impacto de medidas preventivas e, ainda, porque raramente se fala em redução de índices de obesidade.

Os hábitos saudáveis das mães que protegeram as crianças da obesidade foram não fumar, manter o peso adequado, ter alimentação saudável, praticar exercícios físicos e consumir álcool com moderação.

Em contrapartida, um importante Jornal Americano de Pediatria publicou os resultados de um  estudo prospectivo que seguiu mais de 300 crianças com 3 anos de idade e excesso de peso.

Nas 36 semanas de análise, foram feitas intervenções em grupos, sessões telefônicas e lembretes por e-mail com orientações sobre alimentação e vários outros pilares de um estilo de vida saudável.

Embora aquele parecia ser um modelo que não tinha como falhar, seu impacto nas crianças foi zero: elas mantiveram o excesso de peso e seu estado nutricional evoluiu de forma muito semelhante ao grupo do controle que não sofreu as intervenções.

Prevenção da obesidade infantil

O que explica tamanha diferença de resultados na prevenção da obesidade infantil se ambos os estudos têm abordagens semelhantes?

Existem três explicações plausíveis:

Quem exatamente recebeu as orientações do segundo estudo?

A publicação americana deixa claro que a população estudada tinha baixíssimo poder aquisitivo e pouco estudo e recursos para entender todas as “orientações” oferecidas.

O estudo mostra ainda 20% de prevalência de depressão entre os familiares do grupo de intervenção, enquanto o índice de depressão na população geral está em torno de 5%. É provável que o ambiente e as opções daquela população fossem tão inadequados que nem mesmo uma intervenção longa e adequada tenha conseguido reduzir os danos para as crianças.

Profissionais de saúde atingem objetivos quando orientam pacientes?

Novas tendências de habilidades de comunicação têm questionado a forma de passar informações aos pacientes. Em geral, ignoramos os recursos emocionais, culturais e individuais das pessoas e chegamos como “donos” da razão, cheios de conceitos técnicos e impessoais, dizendo o que deve ou não deve ser feito para se tenha uma boa saúde.

Muitas vezes, as consultas viram embates ou conversas unilaterais de imposição nas quais só o médico fala e o paciente omite o que realmente está fazendo para não “levar bronca”.

Será 3 anos é tarde?

A principal e, talvez, a mais importante diferença entre as populações dos dois estudos é que na primeira observou-se apenas os hábitos de vida das mães. Quando o estilo de vida delas era saudável o da criança também era, porque entende-se que os hábitos foram construídos desde cedo.

No segundo estudo, o seguimento começa aos 3 anos já com crianças obesas, ou seja, num ambiente em que um estilo de vida não saudável já estava estabelecido e, portanto, é difícil de ser modificado.

A comparação entre os dois estudos traz à tona o conceito da prevenção primordial, ou seja, a real prevenção deve ser feita nas mães, na família e no ambiente antes mesmo de a doença se estabelecer. A maior oportunidade para isso está dentro da barriga das gestantes.

 

Fonte: Ativo Saúde https://www.ativosaude.com/especialistas/prevencao-da-obesidade-infantil/

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