Dra Denise Lellis


Menos proteína, menos obesidade.


Os benefícios do aleitamento materno são amplamente conhecidos e sua recomendação é uma das poucas unanimidades científicas atuais. Hoje a Organização Mundial da Saúde recomenda que o aleitamento materno seja exclusivo até os 6 meses e complementados com outros alimentos até os dois anos. A polêmica surge principalmente após os 12 meses quando a maioria das mães já parou de amamentar e o leite ainda representa mais de 50% da oferta calórica diária da criança.

Apesar da enorme variedade de fórmulas infantis e compostos lácteos de qualidade que o mercado oferece há uma tendência atual crescente do uso de leite de vaca integral em especial para crianças acima de um ano. A tendência se baseia numa “preferência” por alimentos mais “naturais”, atitude, entretanto pouco embasada cientificamente. Essa tendência se mantém apesar dos crescentes números de prevalência da obesidade infantil no país e das recomendações internacionais por leites menos gordurosos para crianças visando a redução desses números.

Em crianças menores de um ano sabe-se que o Leite de Vaca Integral (LVI) pode causar anemia ferropriva, predisposição a alergias, sobrecarga renal além de risco de sobrepeso e obesidade pelo teor de gordura.

Esta revisão sistemática traz mais duas informações importantes:

1 – Não é somente até os 12 meses que o LVI deve ser evitado visado prevenção de anemia ferropriva e redução de oferta de gordura na dieta da criança;

2 - Tipo e quantidade de proteína do LVI quando oferecido ás crianças de até 3 anos de idade, representam importantes fatores de risco de obesidade na infância e adolescência.

É na infância que a obesidade pode começar e o pediatra é o grande parceiro dos pais quando o assunto é prevenção e deve ser consultado antes de a família decidir qual o melhor leite para a criança.