Dra Denise Lellis


De 14 a 16 de março de 2016 acontecu em Brasília do Encontro Regional para o Enfrentamento da Obesidade Infantil


Tal evento foi uma parceria entre o Ministério da Saúde do Brasil, a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Nutrição (FAO).

O objetivo foi criar uma oportunidade para debate e reflexão sobre os compromissos dos países da América Latina no âmbito da Década de Ação das Nações Unidas para a Nutrição. Os participantes puderam dialogar sobre as lições aprendidas, os desafios e as ações que estão sendo realizadas para o enfrentamento ao sobrepeso e à obesidade infantil na América Latina.

Foram 8 órgãos Nacionais e Internacionais envolvidos com saúde e nutrição, 12 países incluindo o Brasil além representantes de vários importantes organizações nacionais interessadas e dedicadas á saúde e alimentação infantis.

Todos os países presentes apresentaram seus compromissos para a #DécadadaNutrição. Os temas mais presentes e unânimes foram:
- A importância da adequação das quantidades de açúcar, sódio, gorduras totais, gorduras saturadas e gorduras trans dos alimentos processados e ultraprocessados de acordo com as normas da OPS;
- A importância da adoção da rotulagem frontal com alertas sobre excessos de açúcar, sódio, gorduras totais, gorduras saturadas e gorduras trans;
- A necessidade da regulamentação da publicidade infantil visando a proibição de propagandas de alimentos não saudáveis direcionadas á crianças e adolescentes;
- Importância do investimento na educação nutricional e estímulo á atividade física nas escolas;
- Regulamentação das cantinas escolares visando do a proibição da venda de alimentos inadequados no ambiente escolar;
- Promoção de ambientes saudáveis para que a população possa realizar atividades físicas; - Promoção da saúde da gestante e incentivo ao aleitamento materno.

Sobre esses temas não há discussão. São questões necessárias para a prevenção do excesso de peso na infância e adolescência.
Chile e México foram o paises mais adiantados na adoção das ações acima. O Chile estabeleceu uma lei que exigem a rotulagem frontal de alimentos que fogem das recomendações da OPS em níveis de sódio, açúcar e gorduras faturadas, proíbe a publicidade voltada para as crianças de alimentos considerados não saudáveis, exige regulamentação de produtos que estavam fora das recomendações nutricionais internacionais, proíbe a venda de alimentos não saudáveis nas cantinas das escolas e promove a educação nutricional e atividade física nas escolas.

O Chile ainda mostrou resultados sobre a aceitação da população e das empresas sobre a implementação da lei e obteve bons resultados. Mais de 60% das empresas haviam aderido ás normas em 6 meses. A aprovação da população foi de 70 a 92% para cada norma. Cerca de 40% da população conferiu os rótulos frontais e dessas mais de 70% evitaram alimentos com os alertas.

O Brasil entretanto ainda está iniciando esses processos. Apesar de existirem projetos de lei em tramitação, a não há legislação sobre a publicidade voltada ás crianças e apenas 11 estados apresentam leis que proíbem alimentos não saudáveis nas escolas.

A Década de ação da ONU para a nutrição representa o reconhecimento global de que o excesso de peso representa um agravo á saúde tão importante oi Ainda maior do que a subnutrição e a desnutrição atualmente.

A ciência já evidencia desde a década de 70 que o período intrauterino, o aleitamento materno, a introdução alimentar e manutenção de alimentação saudável nos primeiros 2 anos de vida são cruciais para a prevenção de doenças crônicas não transmissiveis no adulto. Os primeiros 1000 dias que englobam o período das concepção até o final do segundo do ano de vida do bebê estão intimamente relacionados com todos os aspectos de saúde da infância, adolescencia e idade adulta.

Apesar de estar apenas começando a inciativa da Década de Nutrição é coerente, embasada e fundamental para a melhora da saúde dos futuros adultos. Os compromissos do MS são adequados e bem vindos mas este é só o começo. A atitude da população é fundamental. Enquanto aceitarmos a venda de refrigerantes, salgadinho e frituras nas cantinas das escolas de nossos filhos, enquanto continuarmos colocando esses itens nas lancheiras das crianças e enquanto os tablets, celulares e a televisão Zéestiverem conversando com as crianças mais tempo por dia do que seus pais, a questão do excesso de peso na infância e adolescência estará longe de ser resolvido.