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Agosto dourado: mês da amamentação deve ir além do óbvio


O Agosto Dourado é uma campanha lançada mundialmente em 2017 que visa chamar atenção de todos para a importância da amamentação. Todo profissional de saúde deve, portanto, usar todos os seus recursos para apoiar e respeitar mulher que amamenta e suas escolhas.

Contudo, há alguns pontos que devem ser debatidos:

De quem é responsabilidade de amamentar?

A resposta é: de muita gente!

A mãe realmente é a maior envolvida e responsável, mas todos os que a apoiam cuidando dela, da casa, de seus outros filhos, garantindo seu emprego, descanso e tranquilidade também são peças chave para o sucesso da amamentação e todos os seus benefícios.

O respeito é a ferramenta imprescindível para que a amamentação aconteça, lembrando que quem respeita genuinamente também não julga a mãe que não amamentou porque não quis ou porque não conseguiu.

Benefícios do leite materno

Felizmente, o leite materno é conhecido hoje como a melhor fonte de nutrição para os bebês, devido às incríveis funções de sua composição no organismo das crianças. Muito mais do que macronutrientes necessários para o crescimento do bebê, ele possui componentes que garantem imunidade, regulação metabólica, neurodesenvolvimento, saúde intestinal, entre outras funções.

Os chamados componentes bioativos são as mais recentes descobertas em sua composição e ajudam a tornar o alimento absolutamente inimitável. Milhares de pesquisas conceituadas já comprovaram os benefícios da amamentação na saúde do futuro adulto e daqueles que o rodeiam.

Inúmeros produtos tentam se aproximar do leite materno, mas a amamentação é muito mais do que apenas sua composição: uma pesquisa que visava mostrou que mesmo os bebês que mamavam leite materno na mamadeira tinham ganho de peso diferentes dos que o consumiam direto do peito.

Ou seja, o ato de amamentar aliado à composição do leite é a situação ideal e por isso sua promoção é tão importante.

“Não consigo amamentar”

Amamentar é um verbo que, sozinho, já dá o seu recado: amamente! E não precisa de outro antes (consiga amamentar) para ter valor.

“Dra, eu não consegui fazer com que meu filho nascesse de parto normal e não consegui amamentar, agora estou tendo dificuldades para fazer a introdução alimentar”: já perdi a conta de quantas consultas começam assim. É como se a mãe trouxesse uma mamadeira ao invés de um bebê e como se amamentar fosse uma forma de medir o desempenho materno.

Eu começo “brincando” que não atendo cesáreas e mamadeiras, mas bebês que têm nome e sobrenome e são filhos de famílias únicas.

O ser humano é peculiar demais para nós, profissionais de saúde, acharmos que alguma recomendação, seja qual for, sirva para todo mundo. A própria Organização Mundial de Saúde destaca que suas recomendações são para populações, e não para indivíduos, portanto todo par mãe-bebê merece ser visto de maneira singular.

Como sempre digo às mães em minha prática clínica: “Ser mãe é dar o seu melhor e aceitar que seu melhor é suficiente para seu bebê”. Se isso envolve amamentação ou mamadeira depende de cada um e do contexto que está imerso. O mais importante do Agosto Dourado é que a maternidade aconteça com leveza e respeito.