Dra Denise Lellis


A volta da mãe ao trabalho.


Todo mundo acha que o tema mais prevalente num consultório pediátrico são assuntos comuns como cólica, sono, alimentação ou comportamento. Ledo engano. A fonte de maior angustia das mães hoje envolve seu retorno ao trabalho.

E aí? O que fazer? Qual a melhor decisão? Qual a melhor forma de voltar a trabalhar sem prejudicar o bebê?

As opções mais comuns são:

- Colocar o bebê num berçário ou creche;

- Contratar uma babá;

- Deixar o bebê com a avó ou outro cuidador da família;

- Revezar com o parceiro e reduzir a carga de trabalho;

- Pedir demissão e assumir totalmente os cuidados do bebê.

Quem está nesse impasse em geral é vítima de muitas críticas e acaba sofrendo com opiniões e julgamentos que não agregam. O fato é que não existe substituto para os pais por isso fica difícil saber o que fazer.

Dicas para a tomada de decisão:

1. Não existe uma resposta para essa questão que sirva para todo mundo. Existem sim dicas que podem otimizar a decisão que você tomou. Opiniões diferentes devem ser bem-vindas desde que não haja extremismo.

2. A decisão perfeita para você pode ser a pior decisão para outra mãe e ninguém precisa estar certo nem errado. Por isso julgue menos e ignore os julgamentos que farão de você.

3. Essa decisão virá de quem está diretamente envolvido com a crianças e não das experiências de outras pessoas, redes sociais ou documentários. Portanto olhe para si e não para os outros.

4. Qualquer que seja a decisão haverá consequências, então tome uma decisão consciente e esteja preparado para ela.

5. Você não precisa justificar nada para ninguém. Você pode voltar a trabalhar simplesmente porque você quer, porque você dedicou sua vida à sua profissão ou simplesmente porque você ama o que faz. É no mínimo injusto dizer a uma mãe que ela só será boa se parar de trabalhar fora. Ser feliz no trabalho será um ótimo exemplo para o seu filho. Sem medo, sem culpa, sem crise e sem julgamento.

6. Coloque sempre o bem-estar do seu bebê em primeiro lugar. O seu sucesso como mãe não é mais importante do que a saúde, o conforto, a segurança e a felicidade do seu bebê. Então, se você tiver que fazer tudo aquilo que um dia você jurou que nunca faria, relaxe. A partir de agora vai ser assim. Ser capaz de mudar de ideia é amadurecer.

7. A decisão é dos pais. Uma vez tomada a decisão procure buscar caminhos para que essa seja a decisão certa. A melhor maneira de fazer isso é pensar no que pode dar errado e cerca-se de planos para prevenir danos.

8. O filho é seu! Seu e da pessoa que você escolheu para te ajudar nesse projeto. Então cuidar do bebê é um “problema” de vocês. Em teoria ninguém (nem os avós) tem obrigação de mudar as próprias escolhas por causa das suas. Então não cobre para não ser cobrada.

9. Não tome decisões ás pressas. No afã de ajudar ou de achar ajuda as pessoas se comprometem com uma rotina de muito trabalho e responsabilidade e depois nem todo mundo dá conta. Mudar a solução no meio do caminho é muito mais complicado. Então planeje-se, pense antes, pondere e converse abertamente com os envolvidos.

10. O fim da licença maternidade é um reinício e, portanto, não é fácil. Não existe substituto para a mãe e por, mais redondo que seja o esquema que você montou, separar-se do bebê não vai ser fácil. Mas lembre-se: se não for um martírio para você também não será para o bebê. Seja leve e será leve para todos.