13 Valiosas dicas que podem mudar a vida de seu filho na infância e adolescência.


Em tempos de de pais que se preocupam com o jogo "baleia azul" mas ao mesmo tempo ajudam os filhos a mentirem a idade para entrarem mais cedo nas redes sociais, precisamos falar sobre adolescência, sem paranóia, mas com mais cuidado.

Nunca tivemos adolescentes tão capacitado, inteligentes e empreendedores como temos hoje. Mas a adolescência também nunca foi tão distante dos pais, tão competitiva e tão solitária como é hoje.

Aprendi com psicólogos renomados que comportamentos que você não aprova devem ser ignorados e os que você aprova devem ser reforçados para que voltem a acontecer. Bem o que me fez começar a assistir a uma nova série foram justamente as dezenas de recomendações para que ela não fosse assistida. Alguém tem dúvida de que os adolescentes vão fazer o mesmo?

Trata-se da série 13 Reasons Why. Produção da Netflix provavelmente bem intencionada ao tentar abordar temas polêmicos como adolescência , depressão e suicídio.

Li críticas cinematográficas muito negativas e sobre isso não me sinto apta a falar mas as críticas sobre a personagem e sua psicopatologia me chamaram atenção porque considerei a série uma ótima oportunidade para os pais e a escola sentirem onde toda nossa "representação de papéis" cotidiana podem parar.
Bem, considerando que a protagonista era uma adolescente depressiva e suicida fica difícil o público se indentificar com ela e suas atitudes, ficaria estranho, mas acho que o que mais incomodou os críticos foi a abordagem de outros temas delicados e evitados porém presentes em nosso dia a dia. Então aí vão 13 constatações que 13 Reasons Why faz sobre nossas vidas e que podem ser difícil de aceitar e muito mais difíceis de mudar:

  • 1. A beleza incomoda. Hannah era linda! Como poderia ser deprimida?

  • Fica claro na série como os adolescentes podem ser cruéis com o quem julgam pela aparência. A protagonista foi eleita uma das mais "gostosas" da escola e sua existência se resumiu a isso! O que mais poderia se esperar de uma "gostosa"? Pasme! Algumas meninas não consideram isso um elogio. Algumas sentem-se humilhadas e não conseguem lidar com o quem vem com essa carga! Já atendi vááárias crianças adolescentes que sofrem porque são resumidas ao que seu corpo aparenta. Seja ele considerado bonito demais ou feio demais (porque meio termo é algo difícil entre os adolescentes) e sinceramente não sei o que pode ser mais nocivo. A beleza, assim como "talentos" podem causar um ressentimento devastador em alguns grupos.
    Dica: fale com seu filho sobre os talentos dele ao invés de falar sobre o que os outros são capazes de fazer e ele não. Uma boa autoestima é protetora na adolescência.


  • 2. Os adolescentes nunca foram tão capacitados e inteligentes mas continuam sendo adolescentes, ou seja, continuam tendo a aprovação de seus pares como a coisa mais importante do universo

  • Por mais sensacionais que tenham sido os pais e a educação o que o adolescente teve, chega uma hora que estar num grupo faz valer qualquer loucura. Cabe a nós saber a que tipo de grupo o adolescente quer pertencer.
    Dica: converse sempre com seu filho sobre aquilo que é importante para ele. Sobre os meios que ele acha justo usar para alcançar o que e quais poderiam ser as consequências disso para ele é para os outros.


  • 3. Temos dificuldade para lidar com assuntos "difíceis".

  • Nosso distanciamento dos assuntos difíceis são uma oportunidade para coisas ruins acontecerem. A série mostra por exemplo como pode ser a relação dos adolescentes com o álcool. Droga lícita, mas que pode ser o primeiro passo para as ilícitas.

    Frase de um dos pais da série:
    "Tchau filho! Não use drogas pesadas, ou melhor, não use drogas!"

    Alguns pais se gabam de terem usado de álcool e drogas na adolescência é isso não ter trazido nenhuma consequência ruim. Que bom! Mas daí a achar que tudo bem usar álcool e drogas na adolescência existe uma abismo cheio de vidas destruídas pela dependência, violência, acidentes de trânsito, gravidez na adolescência e por aí vai.
    Dica: Não minimize a importância da proibição do álcool para menores e idade. Existem razões legais e científicas e médicas que devem ser respeitadas. O exemplo dos pais é o recado mais importante neste caso. O mesmo vale para as redes sociais. Mentir pelo seu filho é pior do que ensiná-los a mentir.


  • 4.Não queremos lidar com nosso próprio julgamento. E aí claro: culpamos a vítima.

  • Li críticas assim.
    "Hannah entra numa banheira com várias pessoas só de langerie e depois reclama de ter sido obrigada a fazer sexo?"

    "Hannah beija outra menina (na intimidade do quarto dela) e depois reclama de todo mundo sair falando?"

    A série mostra de maneira clara como pode ser confuso o limite entre a própria vontade e a vontade do outro.
    Dica: converse com seu filho sobre como pode ser ruim ter a própria vontade invadida. Mostre-o como seria desagradável se alguém o obrigasse por exemplo a comer ou beber algo que ele não queira. E o que nós queremos pra gente não devemos fazer com os outros.


  • 5.Nossos adolescentes não são assim!

  • Definitivamente não imagino tamanha profundidade nos diálogos entre os adolescentes que já conheci nessa vida. Clay e Alex têm um nível de autocrítica e maturidade que desbanca a maioria dos adultos que eu conheço. Não é muito fácil imaginar que as coisas devem ser ainda piores entre os adolescentes com menos instrução.
    Dica: falar sobre sentimentos é importante desde a infância. Raiva pode ser tão autêntica quanto alegria e não deve ser minimizada. Quanto mais respeitamos e aprendemos a lidar com os sentimentos das crianças mais as ensinamos a lidar também.


  • 6. Os pais estão fingindo que estão educando mas estão ocupados demais com as próprias prioridades.

  • A distância entre os pais e os filhos na série é impressionante Mas o fato é que na vida real é ainda pior.
    A maioria dos pais hoje terceiriza a educação dos filhos num nível que beira o abandono e tentam compensar isso com bens materiais, escolas caras e tudo aquilo que a gente já sabe. A gente se esforça sim, mas a maioria dos problemas que envolvem a infância e a adolescência hoje passa pela ausência de um verdadeiro cuidador. Alguém que assuma a parte chata de falar não, colocar regras e especialmente garantir que sejam seguidas sem medo de não ser amado.

    Diálogo da série:
    Mãe: "Filho preciso te fazer uma pergunta: você está sofrendo bullying?
    Filho: E se eu for o agressor mãe? Tudo bem pra você?"

    Dica: dedique tempo ao seu filho. Se estiver com ele converse, interaja, concentre-se. Cada minuto que você investe no seu filho hoje representa menos problemas no futuro.


  • 7. A escola finge que se preocupa.

  • A abordagem psicopedagógica da escola da série em questão preocupou-se muito mais com a imagem da escola do que com o bem estar dos adolescentes naquela sociedade esquizo-paranóica e competitiva. (Só para do pra pensar: que sociedade a gente imita e consome desenfreadamente mesmo?)

    Achei muito pertinente a representação extrema que a série apresentou sobre a relação pais-escola na série. No final é um querendo provar que o problema é o outro. E o aluno-filho é o menos importante.
    Dica: escolha muito bem a escola em que seu filho vai estudar e lembre-se que antes de um desenvolvimento pedagógico ele precisa se desenvolver emocionalmente. Suas necessidades podem ser diferentes das necessidades de seu filho. Essa escolha é a mais importante escolha da infância.


  • 8. Nossos filhos aprendem a representar.

  • Os filhos representam os papéis que os ensinamos a representar. Quando de fato não somos presentes os filhos tendem a viver suas vidas assim como os pais o fazem. Vêm correndo contar sobre uma nota 10 mas esquecem de contar que os meios para alcançar o 10 não foram honestos. E os pais ainda pioram a situação com perguntas do tipo: "mais alguém tirou 10 ou foi só você?"
    Dica: valorize o esforço e não o resultado. Se seu filho tirar 8 na prova foque primeiro nas 8 questões que ele acertou e não nas duas que ele errou. Errar faz parte de tentar. E aprender a tentar é mais importante do que aprender a vencer sempre.


  • 9. A série não explora a doença que antecede o suicídio. Hannah era doente!

  • Claro! Ou será que alguém dá cabo da própria vida sem ser ter um grave transtorno emocional? De fato a série não explora a doença e algumas situações parecem sem explicação para quem acha que uma pessoa depressiva precisa de um "motivo" para desejar a morte. Achei interessante alguns comentários minimizando a protagonista e seu sofrimento: "Afinal quem não passou pelas mesmas dificuldades que ela? Não aconteceu nada de mais!"
    Pois é isso mesmo que define a depressão como doença e e suicidio como consequências fatal e não apenas um comportamento.
    Dica: não minimize o sofrimento do seu filho. Ajude-o a lidar com as coisas negativas da vida ao invés de negá-las e ofereça um ombro por mais banal que lhe pareça o motivo. Adolescentes são imediatistas e fatalistas por natureza. Ao invés é preciso sofrer com seu filho ao invés de acabar como sofrimento dele sempre.


  • 10. Todos somos vulneráveis.

  • Os pais da Hannah eram incríveis!
    Tratava-se de um casal unido, carinhoso entre si e com a filha mas que estavam vivendo uma crise financeira considerável.
    Isso incomoda ainda mais o público uma vez que "adolescentes problemáticos" na cabeça de todo mundo são filhos de "pais problemáticos" correto? Errado! Somos todos vulneráveis porque adolescentes não são apenas resultados do que os seus pais fizeram. São resultados da sociedade em que estão inseridos e de questões individuais que fazem com que não tenhamos idéia do que eles farão com o que ensinamos a eles. Considerando que a vida social, em especial a vida virtual deixa os pais cada vez mais impotentes fica ainda mais injusto culpar somente os pais.
    Dica: postergue ao Máximo o uso de eletrônicos e quando liberar limite o tempo. E que de preferência esse tempo não seja quando vocês poderiam estar conversando ou fazendo outra coisa juntos.


  • 11. A vida nem sempre oferece estereótipos como na série.

  • A série é praticamente feita somente de personagens estereotipados. Mas a vida real é bem diferente. As pessoas mesclam características únicas que torna cada indivíduo um universo.
    Dica: Converse com seu filho sobre as coisas boas que cada pessoa pode ter a oferecer. Evite comentários do tipo "fulano é problemático" porque aos olhos do fulano você também pode ser bem estranho. O ideal seria ensinarmos nossos filhos a serem críticos e capazes de formar a própria opinião baseada em sua própria experiência. Mas infelizmente, em especial na adolescência, os rótulos são comuns, são aceitos, e o pior de tudo são rapidamente compartilhados até que se tornem verdadeiros, mesmo que não sejam.


  • 12. A série dá uma aula sobre "como cometer suicidio ".

  • Uma pessoa depressiva sofre profundamente. E de algum jeito pode se sentir agredida pelos outros e ressentida por ser a única que sofre sem que ninguém a compreenda.
    A Psicologa Valdeli Vieira me explicou que em sua fantasia um suicida acredita que, acabando com a própria vida, ele poderá causar sofrimento a outras pessoas, que sua morte pode mudar a maneira como as coisas funcionam. O papel dos profissionais que atendem essas pessoas é justamente deixar claro que a morte não leva a qualquer outro lugar que não seja o esquecimento. O mundo continua girando, as pessoas não vão mudar e coisas ruins vão continuar acontecendo. Em 13 Reasons Why Hannah consegue atingir todos os que ela considera "envolvidos" com sua morte. Gera sofrimento e mobiliza mudanças. Isso, somado aos fato de que o último episódio mostra com detalhes como pode ser "simples" tirar a própria vida, pode gerar comportamentos similares em adolescentes depressivos numa espécie de "efeito Werther".
    Dica: assim que seu filho tiver idade para entender e se esse assunto surgir, é preciso deixar claro que os pais serão os mais, senão os únicos, atingidos com um ato tão extremo do filho. O resto do mundo? Vai continuar girando.


  • 13. "Isso precisa mudar. Precisamos cuidar mais uns dos outros".

  • Essas são algumas das últimas frases de Clay garoto que era apaixonado por Hannah mas não soube entender o que sentia. Qualquer um que consiga refletir por mais de 30 segundos e que perceba o caminho que estamos seguindo entende que estamos no caminho contrário das frases de Clay. Parece que se as coisas continuarem como estão a tendência é a piora do sofrimento psicológicos de nosso jovens. Pra mim, como mãe, essa foi aparte mais difícil de " enfrentar" na série.
    Dica: mude agora. Aprenda e ensine seus filho a cuidar mais de si mesmo e dos outros. Isso pode começar com a família.


    Por piores que tenham sido as críticas e por mais "desrecomendada" que seja por especialistas, pra mim, 13 Reasons Why é obrigatória para os pais (em especial pais de crianças pequenas!!) e para as escolas e todos os seus envolvidos. De fato eu não recomendaria para pessoas depressivas em especial os adolescentes mas penso que os pais desses adolescentes estão "de olho" naquilo que os filhos estão vendo e fazendo. Não estão?